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26 MAI 2014

De Portugal para o Brasil: a trajetória azul e branca da azulejaria


De Portugal para o Brasil: a trajetória azul e branca da azulejaria

A história dos famosos azulejos portugueses remontam ao século XV quando Portugal iniciou a importação dos azulejos hispano-mouriscos da Península Hibérica. Os padrões importados variavam entre os geométricos, as lançarias e também os padrões vegetalistas.

Na primeira metade do século XVI as peças passaram a ser importadas da região de Flandres e Sevilha, assinados por artistas renascentistas e maneiristas.

Este histórico influenciou a produção portuguesa inaugurada em 1575. A fabricação portuguesa passou por várias fases. A primeira delas foi dos azulejos exaquetados com esquemas geométricos e articulados. Em seguida foi a fase do azulejo padrão, representado por motivos geométricos entrelaçados e bordas delimitadas por frisos e barras, recordando tapeçarias. Após um período de transição que utilizou policromia intensa integrada a cenas figurativas, instalou-se o ciclo dos mestres que a partir de 1725, marcou uma era de grande erudição.

Justamente nesta fase na qual os azulejos eram assinados por renomados artistas, é que o Brasil colônia começa a importar as peças em sincronia com as demais artes e seguindo o mesmo processo de aculturação existente em Portugal. Segue-se o período chamado de grande produção Joanina, que trouxe imagens ainda mais encenadas e guarnições cada vez mais complexas e recortadas. Na segunda metade do século XVIII, com o rococó, passa a predominar as dissimetrias e as arritmias, com o arranjo de molduras concheadas.

Com a abertura dos portos ao comércio internacional, o Brasil recebeu importações de azulejos da Holanda, França, Inglaterra, Bélgica, Espanha e Alemanha, que trouxeram inovações como pasta fina, dimensões pequenas e padronizadas, vidrado liso, espessura reduzida do biscoito e ainda decorações estampadas ou decalcada. Com a disponibilidade desses novos revestimentos, os brasileiros – segundo alguns historiadores – foram os primeiros a aplicar em fachadas, tanto para embelezar como para proteger contra a umidade do clima tropical.

A partir da República, as fachadas em estilo eclético passaram a privilegiar a ornamentação em relevo e estuques, assim os azulejos foram perdendo espaço e saíram de cena.

Embora a azulejaria já fosse considerada como um revestimento ultrapassado, a arquitetura mundial foi surpreendida quando Lucio Costa aceitou a sugestão de Le Corbusier para integrar o tradicional azulejo de herança portuguesa na icônica obra do edifício do antigo Ministério da Educação e Cultura.

Esta nova arquitetura fez re-acender o gosto pela azulejaria branca e azul, que foi amplamente divulgada por catálagos e bienais da década de 40. Com essa forte tendência, Juiz de Fora também exibe um importante painel em azulejaria, assinada por Cândido Portinari, em 1956: As quatro estações.

Após o revival da azulejaria inspirada na arte portuguesa proporcionada pela arquitetura modernista de Lucio Costa, Oscar Niemeyer, Francisco Bolonha, entre outros, o primeiro quartel do século XXI traz a releitura dessa arte, estampada na tecnologia de porcelanatos em formas geométricas e patchworks.

 

Painel de Portinari: As quatro Estações (Juiz de Fora) Azulejo de Padrão: representado por motivos geométricos entrelaçados e bordas delimitadas por frisos e barras, recordando tapeçarias. Releitura dos azulejos: desenhos geométricos e policromia: Eliane Revestimentos Painel de Portinari no Edifício do Ministério da Educação e Cultura (RJ) Capela São Roque em Portugal. Primeira obra a receber a produção de azulejos portugueses. Azulejaria produzida durante o ciclo dos mestres. Edifício com fachada em azulejos - São Luiz (MA) Policromia intensa Releitura dos azulejos: Portobello

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Sobre o Autor

  Steves Rocha

Steves Rocha

Arquiteto e Urbanista, formado pela Universidade Federal de Juiz de Fora, integra o quadro de funcionários da abc da construção na elaboração dos projetos de expansão da rede e suas filiais. Atua ainda em projetos residenciais e pesquisas na área de arquitetura funerária e arte tumular.
 

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